Vitório Danno: Arte que vira doação
Unir o talento herdado de seu pai para fazer o bem ao próximo. Essa é a receita de vida utilizada pelo artesão de Mirante do Paranapanema Vitório Fukumitso Danno, 78 anos, que descobriu na arte de confeccionar peças com bambu uma maneira de arrecadar dinheiro para a Associação de Apoio ao Portador de Câncer de Presidente Prudente. Aposentado, Danno doa produtos desde 1997 para a mesma entidade e diz que pretende continuar esse trabalho até o fim de sua vida.
Nascido no município de Álvares Machado, o artesão conta que se mudou com a família para Presidente Bernardes aos oito anos de idade onde atuou numa oficina como aprendiz no setor de mecânica. A partir de 1955 passou a viver em Mirante, onde se casou com Luico Danno e formou uma família de nove filhos.
Em 1995 seu pai, que também fazia artesanato e efetuava doações de materiais, faleceu aos 98 anos e dois anos depois Vitório resolveu dar continuidade à missão do patriarca. Em razão de problemas de saúde o aposentado busca tratamentos constantemente e um dia encontrou um senhor na porta do antigo Hospital Universitário que sofria de câncer e reclamou que estava com fome, por estar várias horas aguardando atendimento. “Sou muito católico e a partir daquele dia pensei em fazer alguma coisa para dar apoio às pessoas que sofrem de câncer, foi quando me contaram do Hospital do Câncer e passei a contribuir com a Associação”, fala.
Ao lado da esposa, há 50 anos, e dos filhos ele conta que sempre recebeu apoio para desenvolver esse tipo de trabalho voluntário. No entanto, diz que a principal dificuldade é com relação à aquisição de matéria-prima. Ele explica que corta bambu em uma propriedade de uma amiga que fica a 2Km de sua residência e que traz o produto nas costas, já que não possui mais habilitação de motorista em razão de um problema na perna. “Fico muito sentido nesse ponto, pois precisaria da doação de material que ainda é muito pequena”.
Entre os produtos confeccionados pelo artesão e vendidos pela associação está porta vinho, varal de roupas, fruteira, cesta de mesa, cesto para ofertório de igrejas, suporte de vela, entre outros artigos. Além do bambu, os demais produtos utilizados para as peças como arame, cola, verniz e lixa são custeados com o próprio salário do aposentado. “Com muita fé, amor e dignidade faço isso. Enquanto eu tiver vida vou fazer essa doação”.
Os artesanatos são encaminhados para a associação a cada 40 ou 50 dias. “Pretendo fazer um curso futuramente de aprimoramento para confeccionar móveis com bambu em Rancharia”, relata.